Reconhecimentos para Millennials: 5 Duras Realidades para o RH
OK, reconheço este título é um pouco injusto (quem sabe bastante), mas é um fato que a Geração Y e seu estilo de vida – viciados em dispositivos móveis, impacientes e mais preocupados em pedir um Uber do que com a morte da indústria dos táxis- são objetos de várias críticas.
Também conhecidos como Millennials, os nascidos entre 1981 e 1995 são 35% da força profissional da América Latina e para 2025 serão 75% da força profissional do mundo. Faltam onze anos, mas não existe prazo que não expire, e já estão mudando as regras do jogo para os CEOs e VPs de Recursos Humanos.
Cresceram na época de maior abundância e mudança que o planeta já viu, e chegam às empresas com uma visão de mundo radicalmente diferente de outras gerações.
Como fenômeno, tendem a sair dos padrões estabelecidos:
- Esperam responsabilidades e cargos de liderança a curto prazo (53% espera se tornar um executivo de primeiro nível em sua organização), mas em média mudam de trabalho antes de três anos. De fato, 10 anos na mesma empresa pode ser visto como um fracasso para eles.
- Enquanto que seus antecessores buscavam estabilidade e “criar raízes”, eles buscam a felicidade e auto realização no trabalho.
- Apesar de que ao 25 estejam em seu peak para comprar uma casa, preferem viver com os pais.
- Mais do que a propriedade, valorizam o acesso a artigos como carros, música e bens de luxo, criando a “economia compartilhada”.
- Os Millennials gastam USD 200 bilhões por ano no Estados Unidos e segundo a Adweek, o gasto em publicidade orientada a eles cresceu 500%.
- Buscam um propósito maior em seu trabalho, querem mais flexibilidade para realizá-lo de sua maneira e esperam reciprocidade na relação com o empregador.
Está chegando uma nova ordem nas organizações, onde a Geração Y será líder e protagonista. E desta maneira, é melhor antecipar do que reagir, e por isso compartilho cinco "duras realidades" que Recursos Humanos deve aceitar sobre os reconhecimentos para Millennials.
1. Reconhecer de forma contínua
Os millennials querem muita, mas muita (muitíssima) retroalimentação e reconhecimento. Tanto que 42% deseja receber retroalimentação todas as semanas (o dobro da frequência de outras gerações) e 80% prefere a retroalimentação em tempo real do que as avaliações de desempenho. Mesmo que isso pareça pouco realista, é possível com o uso de tecnologia. O segredo é estar atento, e fazer o reconhecimento assim que o comportamento que se deseja destacar acontecer, e através de plataformas e aplicativos sociais.
2. Reconhecer ações específicas
Uma das melhores formas de garantir que um programa de reconhecimento realmente motive os colaboradores é reconhecer comportamentos e ações específicas. Quando um colaborador é reconhecido por uma meta alcançada e seu esforço, o comportamento desejado não é somente reforçado, como também ajuda a construir uma cultura de que fazer o correto é a norma. Os típicos reconhecimentos por permanência na empresa ou aniversários não servem muito para motivar os millennials: 51% dos entrevistados em um estudo disse que este tipo de reconhecimento não tem impacto sobre como vêm seu trabalho.
3. Personalização, personalização, personalização
Nenhuma geração é mais ligada na personalização do que os Millennials (por alguma razão é chamado de Geração Eu). Isso significa que o reconhecimento carece de significado se for genérico. E que a melhor forma é personalizar algo do que deixar o próprio colaborador responsável por fazê-lo. Os catálogos online de prêmios que integram funções de auto-serviço, permitem que os millennials escolham recompensas relevantes para seu estilo de vida, ajudam a comunicar que a empresa valoriza a individualidade e liberdade de escolha dos colaboradores.
4. Transforma o reconhecimento em uma experiência de aprendizagem
Apesar dos millennials valorizarem o reconhecimento ao seu esforço, valorizam ainda mais a retroalimentação contínua para fazer um trabalho ainda melhor. A Geração Y é especialmente aberta à orientação ou mentoring de colegas com mais experiência e esperam que seu superior direto apóie seu desenvolvimento profissional. A razão? Preferem aprender fazendo, do que com instruções. Segundo a PWC, os millennials valorizam as oportunidades de crescimento, e por isso esperam aprendizagem contínua no trabalho: As empresas que enfatizam aprender porquê algo funciona (ou porque não) são mais atraentes para eles.
5. Usa ferramentas sociais e móveis
Para os millennials, as aplicações “sociais” são uma parte indispensável da vida diária e esperam ter acesso a elas no trabalho, porque têm a expectativa de poder compartilhar suas ideias com a organização. Segundo a Cisco, 56% dos Millennials rejeitam ofertas de empresas que não possuem ferramentas sociais. Mais que as gerações anteriores, os Millennials anseiam pela oportunidade de contribuir de forma criativa na sua organização e apresentar suas ideias, segundo a Future Workplace. Uma forma que essas ideias são adotadas é o reconhecimento dos pares. Os programas de reconhecimento de maior sucesso estão focados nos objetivos alcançados, e são “sociais”. Ou seja, permitem que os colaboradores reconheçam seus colegas e que se divulgue na rede social interna da empresa. Em uma investigação de 2013 que analisou o vínculo entre motivação e reconhecimento, 76% indicou que o reconhecimento dos pares é muito ou extremamente motivador.
Mesmo que muitos diretores de Recursos Humanos vejam os Millennials como uma “geração problema”, não se pode lutar contra a realidade. Os millennials são os jovens mais sortudos na história do mundo: têm o tempo, a oportunidade e a saudável ambição de desenvolver suas carreiras em seus próprios termos. Sua forma de ver o mundo transformará a cultura organizacional nos próximos 10 anos.
Eles já representam uma proporção importante da força de trabalho atual. Por isso é fundamental reconhecer e recompensar sua contribuição dentro da organização. É melhor começar agora do que ficar fora do jogo no futuro, e ao fazê-lo você pode ajudar outros colaboradores a melhorarem seu desempenho e a fortalecer a cultura da empresa.

